Sexta-feira, Fevereiro 02, 2007

DOMINO - A CAÇADORA DE RECOMPENSAS
(Domino- 2005)


com: Keira Knightley, Mickey Rourke, Christopher Walken, Delroy Lindo.
direção: Tony Scott
roteiro: Richard Kelly

Sabe, quando eu fui ver O Resgate do Soldado Ryan no cinema eu sentei na frente de duas senhoras. Lá pelo final do filme, seguindo o esquema ?ação-novela-ação?, uma das senhoras disse:

?Ai meu Deus, vai começar de novo a tremedeira?.

E claro, eu dei risada e usei as senhoras como exemplo de como velhos não deveriam sair de casa, a não ser que rampas com suaves de inclinações de no máximo 5 graus fossem instaladas na cidade toda.

Isso foi até eu assistir Domino.

Não é que o filme seja ruim. Mas é que eu não agüentava mais a tremedeira. Eu me senti como aquelas crianças japonesas que desenvolveram epilepsia depois de assistir Pokémon. Dizendo em miúdos, a estética do filme ENCHE O SACO.

Eu sei, é um filme de Tony Scott. Ele é o mestre do corta/recorta/volta/flash com frames branco e filme queimado. Sim. Em doses pequenas é até legal. Se você quer fazer umas cenas de flashback, pesadelo ou drogas. Mas um filme inteiro, é duro de agüentar.

Keira Knightley é Domino, e faz questão de lembrar a cada 5 minutos do filmes que ela é uma caçadora de recompensas. Aí seguimos a história da modelo revoltada que tinha grana demais e resolve ?aproveitar a vida?. Porque drogas não bastavam. Nem sexo.

Esse é um dos grandes problemas da história. Assim como O Aviador ele conta a história de pessoas ricas que realizaram coisas. Uau! Estou impressionado! Eu não sabia que os ricos podiam fazer tanta coisa. Sério, deve ter a vida de algum mendigo que realizou algo e dá pra virar filme. Um mendigo em busca de um prato de comida, que tal? E ainda pode acabar com final super feliz: ele ganha um cobertor E um prato de comida. Aí todo mundo chora.

Mas aí ela encontra Mickey Rourke ? que está mais bonito do que nunca ? e se oferece para trabalhar com ele. O resto dos personagens são ultra-estereotipados, nada de errado num filme ultra-estilizado como esse. Até Christopher Walken, que anda aparecendo em qualquer filme que preencha um cheque nominal, está divertido.

Porém, o problema é o que eu falei desde o começo. Metáfora: Imagine que este filme é um misto quente. Todo mundo gosta de um misto quente bem feito. Todo mundo sabe que não é nada demais. Mas imagine entra na padaria e comer um misto quente, com dois garçons chacoalhando a sua cabeça, uma bailarina de funk em cima do balcão, com uma perna em cada lado do seu prato, luz estroboscópica e mirrorball, e um cara apitando buzina de ar na sua orelha. E você tentando comer um misto quente.

Eu não podia deixar de lembrar que o filme fica melhor depois que você percebe que um professor de Malhação está no elenco. Aquele cara do cabelo engruvinhado, o Charles Paraventi. E ele é viciado em sexo. Sério. Isso foi demais.

Se você quiser assistir Domino, pode ver. Dá pra se divertir. Mas tome um Plasil e não coma nada por 4 horas antes, nem durante a sessão.

sofrido por Paulo Vivan às 7:01 PM

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